Estudos Lanterianos – Mariologia Lanteriana

87635461_133310258771Buscando aprofundar nossos conhecimentos sobre as origens do Carisma Lanteriano, hoje nos depararemos com um breve estudo que irá nos apresentar um pouco do carater Mariano na construção da identidade espiritual de Lanteri e da Congregação dos Oblatos de Maria Virgem:

  Affidamento e Consagrazione a Maria

“A oferta de si mesmo expressada por Lanteri na ‘Schiavitù alla Vergine’ aos 22 anos, não se configura como um ato isolado, mas o acompanha por toda sua vida de forma constante e definitiva. Toda a atividade do Venerável Padre Lanteri tem um sentido comum mariano, [uma busca, um modelo, um norte]: viver com Maria e por Maria.

Tendo experimentado as vantagens [desta relação com a Virgem], ele se fez apostolo desta consagração, declarando-se escravo da Santa Mãe, convidando outros a confiarem de forma plena e total, colocando-se em suas mãos, para que ela nos tenha livres e verdadeiramente como seus. Não por acaso ele fundou uma Congregação consagrada a Nossa Senhora. Estes são alguns passos da formula de consagração composta por Lanteri, esclusivamente para os OMV:”

“Amabilissima Mãe, Mãe de Deus e Virgem, eu N.N. […], me oferto totalmente a Vós, submeto a tua vontade tudas as minhas coisas, atestando […], que esta é minha intenção, meu desejo, minha vontade de permanecer firme, enquanto eu viver, nesta Congregação de teus Obaltos, conforme sua Regra […]. Dai-me vossa clemência, ó piíssima Mãe e Virgem, peço humildimente que aceiteis esta oblação, e como me deu a graça de desejá-la, e de oferecê-la, que me conceda a grande graça de realizá-la até o fim. Amém.

Notamos com muita clareza a devoção especial que Pe. Lanteri tinha à Maria, e podemos perceber claramente os frutos desta forma de oblação à Santa Mãe de Deus. Porém toda esta entrega à Virgem Maria não configura-se como um “mariocentrismo (conjunto de ideias erronêas que sobrepõem a fé no Crito -Cristocentrismo- pelas ideias marianas, tornando a Virgem uma ‘deusa’)”. Para Lanteri a Virgem é a fundadora, a mestra, e a Mãe da Congregação dos Oblatos de Maia Virgem, mas ela é apenas a intercessora que zela por nós junto de seu Filho Jesus. Ele sim é o sentido de nossa vocação e existêcia, sendo o caminho, a verdade e a vida [Jo 14:6].

Rezemos com Maria, e sigamos seu exemplo de discipulado a Nosso Senhor Jesus Cristo.

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Aspectos do Carisma Lanteriano – Estudo

Filósofo medieval, Grandes Chroniques de FranceQuando há anos entrei na Congregação dos Oblatos de Maria Virgem, mais especificamente no Seminário Pio Lanteri em Jundiaí, uma das primeiras coisas a qual descobri sobre o riquíssimo carisma dos Oblatos foi sua importante dedicação aos estudos. Meus superiores costumavam dizer que após a oração o estudo deveria ser nossa principal tarefa.

Estes dias remexendo o arquivo da Congregação no Brasil encontrei um texto revisado pelo saudoso Pe. Angelo Cremonti que possivelmnte é a fonte desta afirmação, e gostaria de partilhar com vocês este artigo, especialmente àqueles que se dedicam a esta caminha tão nobre, ou aqueles que pensam em ingressar nas veredas da Igreja de Cristo como religiosos. Tomará que aproveitem.

O ESTUDO

O estudo, após a oração, constituirá a principal ocupação que mais deve-se emprenhar os Oblatos, assim exigindo o serviço de Deus, a honra e o bem da Igreja, como também o dever do próprio humano enquanto imagem e semelhança do Pai. “A boca do sacerdote custodiará a ciência e seus lábios procurarão a lei” (Mal. 2,7).

“Atende a ti e ao ensino; empenha-te em ser constante, pois, assim procedendo, salvar-te-ás a ti e aqueles que te ouvirem.” (Tim. 4,16) – De fato o clérigo ignorante torna-se indigno de seu sublime ministério conforme nos diz o Senhor: “Porque tu recusaste o conhecimento, eu recusar-te-ei a ti por sacerdote.” (Os. 4,6); torna-se causa de prejuízo para os outros, pois, se o cego guiar outros cegos, ambos cairão na fossa (Mt. 15,14); e ele mesmo deverá dar contas rigorosíssimas dos talentos guardados e ociosos. (Mt. 25)

Os Oblatos começarão a estudar e compor por espírito de obediência e de caridade com o único fim de serem úteis ao próximo e atender-lhe-ão sempre com pureza de coração e consciência. Portanto, farão questão de dedicar tempo aos estudos, empregado nele todo o tempo livre da oração e do exercício de caridade, e nunca desistirão do estudo, sabendo que o Divino Mestre, embora fosse a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem neste mundo, quis, não obstante, para nossa aprendizagem, deixar-se achar no meio dos doutores, que escutava como humilde discípulo e interrogava como se precisasse aprender mais.

Os Oblatos, empenhando-se nos estudos, dedicar-se-ão em especial aos ensinamentos da Igreja, da teologia dogmática, moral e às vertentes atuais, como também comporão um curso inteiro dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, conforme sua pedagogia.

Apesar de ser apenas a introdução de um belíssimo texto sobre a formação do religioso oblato, podemos já perceber um relevante aspecto do carisma Lanteriano: o Estudo!

Como sabemos pelas biografias do Fundador escritas pelo Pe. Piatti e pelo Pe. Calliari, Lanteri era um grande estudioso desde sua juventude, chegando a ocupar a cátedra de Logica Aristotélica na Universidade de Turin, ainda quando jovem padre. O Fundador por seus estudos tornou-se uma luz em um período de confusão e mentiras, sendo reconhecido e procurado por seus conhecimento, como podemos evidencias no novo livro de Pe. Gallagher:

“A pessoa de Bruno era conhecida e respeitada pela Santa Sé, a qual por tanto tempA006o ele defendeu […]. Em uma carta de 12 de Abril [de 1826] o secretário de estado Romano, encarregado dos assuntos papais em Turim, Antonio Tosti, descreve Lanteri como ‘um verdadeiro modelo de clérigo piemontes em conhecimento e santidade, bem conhecido em Turim como um defensor dos direitos da Igreja e da Santa Sé’.”  – GALLAGHER, Timothy M., Begin Again – Pg. 182 (Tradução própria).

Para o Fundador o estudo é uma prática importante na vida dos membros do instituto, NÃO visando a sabedoria pessoal ou o crescimento intelectual, mas SIM o serviço ao próximo, aos irmãos. Lanteri acreditava que quanto mais nos dedicássemos neste campo, mas estaríamos preparados para ajudar nossos amigos, transformando toda esta dedicação em uma forma de apostolado.

Metodo de Vida Cristã II – Pela Manhã

Iremos ver no post desta semana como Lanteri nos aconselha a levantar todos os dias pela manhã, seguindo o desejo de regrar nossas ações pela virtude, e encaminhando logo nossos primeiros atos diários ao seguimento de Cristo.

Vejamos a tradução do trecho Asc,2267c:T2,1:

Imediatamente, ao acordar pela manhã, prontamente levantar-se da cama. Não ficar discutindo com a cama ou arrumando desculpas para dormir mais um pouco – hora surgendi ne te trices – não ficar como um preguiçoso rolando de um lado para o outro – sicut vertitur ostium in cardine suo, ita piger in lectulo suo. Meus queridos irmãos, estes tipos de ações preguiçosas são más, por exemplo, sentar-se a beira da cama sonolento e render-se, voltando para debaixo das cobertas. Comumente, nem mesmo os animais fazem este tipo de coisa, nem por causa do frio, nem por causa de um gostoso sono que foi interrompido, nem mesmo por um chefe chato, no caso de nós, humanos. Irmãos, o corpo, se deixarmos torna-se preguiçoso, e não é conveniente que o entreguemos às suas próprias vontades, mas sim, devemos buscar que nossa racionalidade o controle – Quousque obdormis piger nisi consurgas e somno tuo veniet tibi quasi cursor egestas mentis et mendicitas spiritus quasi vir armatus.

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As vezes pensamos que mais alguns minutinhos na cama não fazem diferença. Bom, cinco minutinhos não terão muito impacto, mas quando estes cinco minutos se tornam quinze, trinta, uma hora estamos certamente ‘roubando’ o tempo de outra tarefa que empreenderíamos neste dia. E geralmente é o tempo de nossa vida espiritual, de nossa oração matinal que estamos roubando, que estamos perdendo! Por mais estranho que esta afirmação seja, tenho certeza que ela encontra sentido em nossa caminhada de cristãos. Quantas vezes temos que escolher entre nosso tempo de oração e nossas obrigações cotidianas. Nasce aqui um questionamento: Como anda nossa vida de oração? Ao levantar-se me lembro que Deus é a pessoa mais importante em minha vida e agradeço a Ele por tudo que tem feito por mim? Se deixo a preguiça me dominar logo cedo, e roubo o tempo precioso de minha ‘Laude’ a Deus, deixo de viver momentos de intimidade com o Criador.

Continuemos a caminhar com Lanteri:

Se pois, levantou-se da cama prontamente, sê vigilante, meu irmão, pois esta primeira vitória é o princípio de muitas outras, sendo que ela há de influenciar todo seu dia; busca manter-se como dono de si e senhor de suas vontades! […] Ao levantar-se, deixe a cama subitamente, como abandonar-se-á o sepulcro no dia do Juízo Final; finja que o Anjo da Guarda lhe acordou e lhe disse – Surge velociter, morieris tu et non vives, reddasque rationes villicationis tuæ – e viva este dia de forma intense como se fosse o primeiro, e devagar como se fosse o último. […] Levanta-te e faz com que teus primeiros suspiros sejam como que orações vindas de teu coração e enviadas a Deus, como fazem os pássaros ao cantarem em cada amanhecer. Os nossos primeiros pensamentos e afetos de cada dia são de Deus. Ele os quer para si, e é nossa obrigação rendê-los ao nosso Criador. Em seguida faça o Sinal da Cruz, dizendo de coração: Meu Deus , aqui estou, às suas ordens, estou aqui para fazer a Tua vontade! Em nome do Pai que me criou, do Filho que me salvou, e do Espirito Santo que me santifica, me levanto e começo este dia em honra e graça da Santíssima Trindade!

Visto como devemos nos levantar e bendizer o Senhor logo ao despertar, no próximo post Lanteri irá nos mostrar a importância da santificação do dia através da Santa Missa!

Eis a Labuta!

Método de Vida Cristã – Escritos Lanterianos

Neste mês das missões aqueles habituais convites para fazermos parte da vida de Igreja se tornam mais presentes. Encontramos amigos e irmãos que precisam de ajuda nas mais diversas pastorais, renovando seus esforços para agregar agentes nestes trabalhos tão importantes. Mas apesar de esforços renovados as respostas a estes convites são quase univocas, ‘não tenho muito tempo’, ‘trabalho e estudo’, ‘não tenho tempo nem pra mim e minha família’, entre muitas outras.

É inegável que o tempo atualmente tenha tomado proporções tão relativas que corriqueiramente nos tornemos escravos de nossos relógios, mas isto não é desculpa para abandonarmos o que realmente importa em nossa caminhada e apenas sermos expectadores na experiência maravilhosa proporcionada por Deus em nossas vidas. Desta maneira podemos dizer que o tempo não é nosso chefe, mas sim uma princípio essencial onde podemos escrever nossa história, isto, se bem o utilizarmos! Buscando como bem aproveitar o tempo encontrei um belo escrito de Padre Lanteri a respeito do Método de Vida Cristã. Neste manuscrito Lanteri de uma forma muito dinâmica e prática nos fornece algumas dicas de como relacionar nossas ações diárias com nossa caminhada de cristãos, e ainda, como no dia a dia tornar nossos atos mais virtuosos e cada vez mais próximos da Verdade anunciada por Jesus Cristo.

Pretende-se, em virtude da extensão do manuscrito, postá-la fasciculadamente no Loggero’s Office. Segue a baixo a introdução traduzida do Manuscrito AOMV Asc, 2267c:T1:

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Até as pessoas mais simples afirmam que a perfeição do homem consiste exatamente no ato diário de planejar suas ações pela manhã, e buscar um modo de cumpri-las bem [durante o dia]. Diógenes costumava dizer que, antes de sair de casa você deveria pensar sobre o que tinha a dizer e a fazer, e como tinha que ser dito e feito, depois, retornando à casa, analisar a forma como a coisa se ​​passou. Pitágoras disse que duas vezes ao dia deveríamos nos atentar aos nossos planos, na parte da manhã para planejá-los, e a noite para examiná-los. Então confirmamos que estas pessoas mais simples estão certamente com a razão, e perceber tal fato não é de todo difícil, porque se olhamos para o céu, perceberemos sua ordenação, e se nos voltarmos para terra, todas as coisas são bem ordenadas; era portanto, direito [e dever] que também nos homens pudêssemos encontrar tal ordenamento. E é por isso, diletos irmãos, que esta manhã gostaria de construir convosco uma lista das ações a serem tomadas por vocês. Mas ainda vou um pouco mais adiante, gostaria de lhes ensinar a atribuir grande virtude às suas ações. Se buscou tanto tempo a Pedra Filosofal em vão, mas eu a encontrei, e tenho alegria em dividi-la com vocês.

Comecemos, pois, do primeiro despertar de um novo homem, que transcreve todas as ações a serem tomadas até o anoitecer e o modo de transformá-las em ouro.

 

Com apenas está introdução já nos deparamos com a imperiosa tarefa de buscar santificar nossos dias, planejando-os e ao anoitecer realizando o Exame de Consciência, para cada vez mais sermos como Marta, aquela que trabalha, mas também como Maria, aquela que contempla. Eis a Labuta!

No próximo post veremos como Lanteri propõe que nos levantemos e como logo ao iniciar nossas atividades matinais podemos dignificar nosso dia, prontos e alicerçados na oração!

Santíssimo Nome de Maria

Durante muitos anos o dia 12 de Setembro foi de grande alegria para mim, pois nesta data celebra-se a festa titular dos Oblatos de Maria Virgem, o Santíssimo Nome de Maria. Um momento onde eramos convidados a renovar nossas esperanças junto a Virgem, nos colocando em suas mãos e pedindo que ela nos levasse ao seu filho Jesus. Mas esta data sempre conotou algo a mais para mim. Neste dia lembrava-me com especial carinho de nosso fundador e todo seu esforço para encontrarmos nesta Festa algo que nos identificasse como Oblatos e revigorasse nossa missão e compromisso com o Reino e com a Igreja. Para tanto, este ano, dotado da mesma alegria dos anos de outrora, gostaria de transcrever algumas ideias que guardo comigo, oriundas de estudos e da própria vivência no Instituto.

LIVRO BRUNONE Primeiramente recobro a constante necessidade de estudarmos e confiarmos em nosso fundador, Padre Bruno Lanteri. Somente através de um estudo cada vez mais detalhado de seus escritos e suas esperanças poderemos encontrar o fio de ouro que une toda esta família. Para isso tornar-se mister que dediquemos uma parte de nosso tempo ao espirito primeiro que moveu o fundador. Este retorno as raízes do Instituto antes de ser um regresso é uma premissa para compreender e realmente viver o carisma por Lanteri fundado. E o próprio Magistério reconhece esta necessidade, tendo sempre uma crença cristológica, eclesiológica:

“A conveniente renovação da vida religiosa compreende não só um contínuo regresso às fontes de toda a vida cristã e à genuína inspiração dos Institutos mas também a sua adaptação às novas condições dos tempos. […] Reverte em bem da Igreja que os Institutos mantenham a sua índole e função particular; por isso, sejam fielmente aceites e guardados o espírito e as intenções dos fundadores bem como as sãs tradições, que constituem o patrimônio de cada Instituto.”  [1]

Nesta trecho do Decreto Perfectae Caritatis, vemos enunciada e ressaltada a importância da inspiração inicial dos fundadores para a renovação da vida religiosa no pós-concilio. Mas aqueles que se gloriam de levar os nomes de Oblatos de Maria Virgem, qual seria esta inspiração inicial? O que levou Lanteri a viver da forma como viveu e acreditar que outros vivendo desta maneira encontrariam a Deus? São questionamentos como este que darão vazão a nossa discussão em alguns posts do Loggero’s Office.

Para inciarmos nossa busca da Inspiração Primitiva de Lanteri, necessitaremos antes de buscar em livros e documentos históricos/biográficos, nos voltar para dentro de nós mesmos.

Em uma interessante explanação o Padre Tim Gallagher, OMV falando aos irmãos da Província dos Estados Unidos e recordando uma palestra de seu noviciado, levantou uma importante questão, que cabe a cada um daqueles que seguem o carisma Lanteriamo:

“Por que entre os vários santos e fundadores da Igreja nos sentimos atraídos especialmente por Lanteri, nosso fundador?” [2]

A resposta que Pe. Gallagher ouviu em seu noviciado para esta pergunta foi a de que nosso interesse em Lanteri e no seu carisma representa algo que também incorpora nosso próprio individuo. Cada vez que buscamos conhecer a Lanteri, é um pouco de nós que também acabamos por revelar, descobrindo nossa vocação na Congregação e na Igreja. Pois o mesmo espirito que Deus colocou em nosso Fundador, também depositou um pouco em nós, e por isso, somos de certa forma atraídos, vocacionados a sermos Oblatos, porque partilhamos o mesmo sonho que Lanteri, e este é o especifico fio de ouro que liga cada um dos irmãos ao redor do mundo, em um só coração, em um só espirito.

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FELIZ SANTÍSSIMO NOME DE MARIA

[1] – VATICANO II: Mensagens, Discursos, Documentos. 2ª Edição. São Paulo: Paulinas, 2007.

[2] – LANTERI: A Lecture Series by Fr. Tim Gallagher, OMV. DVD mídia. Boston: Oblatos de Maria Virgem,         2004.

Era il cinque agosto 1830

“Era il cinque agosto 1830 verso le otto del mattino, e Brunone entrava in agonia. Tutti i suoi figli erano attorno al suo letto, piangendo e chiedendo la sua benedizione. Brunone, col braccio sorretto da uno dei Padri, li benedisse tutti a uno a uno, accompagnando la benedizione con le espressioni piu tenere e soavi. Le ultime sue parole furono queste: ‘Amatevi, amatevi molto gli uni gli altri, e siate sempre uniti di cuore a costo di qualunque sacrificio’.”

A cena acima contada pelo saudoso biografo lanteriano Pe. Tommaso Piatti, por si só nos comove, mesmo sem nem conhecermos quem é “Brunone”. Não ousei traduzir do italiano por temer deixar na traição da tradução perder-se o encanto e a tristeza que a passagem procurava expressar em sua língua vernácula, mas podemos mais que no significado dos vocábulos nos colocar nesta cena. Esteja onde estiver leia o conto abaixo e depois feche seus olhos por um momento e reconstrua-o no seu coração e na sua mente.

lanteriEra uma manhã de verão, um agradável cinco de agosto. Uma andorinha voava ligeira pelos antigos edifícios de Pinerolo, buscando curioso as aventuras de seu primeiro verão desde que suas asas descobriram o efeito mágico do ar. De longe avistou uma janela entre aberta com alguns homens dentro e para lá voou alegre pensando surpreendê-los no dejejum e render-lhe algum alimento. Ao se aproximar sua decepção foi total, não havia comida, apenas homens debruçados sobre uma cama. E pensou consigo, o que num dia de verão tão lindo todos estes humanos estariam fazendo trancados em um mesmo comodo. Sua curiosidade foi tamanha que resolveu se demorar mais um pouco e acompanhar aquela estranha residência. Olhou para os homens com mais atenção, seus rostos estavam cobertos pela tristeza e seus olhos maculados pelas lágrimas. Mas por que chorar, pensou consigo a andorinha. E vendo que todos estavam com os olhos fixos em um só lugar voltou seus pequenos globos para a mesma direção, e na cama demorou a ver que idoso e sofrido homem ali jazia. Quem será este que tantos por ele choram, perguntou-se. O homem na cama já debilitado, não deixava que as marcas de sua agonia lhe superassem a serenidade e a certeza de ter vivido anos de caloroso amor e carinho em meio a pessoas que amava. E até em seus últimos momentos buscava com o olhar aqueles que o circundavam, como um pai busca seus filhos. A andorinha sentiu o vento bater convidando-a a ir embora, mas quando estava prestes a voar o pobre homem na cama balbuciou algo. Voltou e aguçou seus ouvidos, mas só viu os homens ao redor da cama traçarem sobre si o sinal de uma cruz e dizerem “Amém”. Prestes a voar novamente o senhor de anos soltou um suspiro, indicando o fim de suas forças. Todos se aproximaram como que para não deixá-lo desfalecer, e a andorinha fechou suas asas e adentrou ao recinto, pousando sobre o dossel da cama e prontificou-se a escutar o por que todos aqueles homens não saiam de perto do pobre enfermo. Alguns murmuravam e choravam chamando-o de pai, outros de irmão, outros ainda de Brunone. E finalmente juntando o ultimo suspiro de seu pulmão o ancião disse já com dificuldade: “Amai-vos, amai-vos uns aos outros, e estejam sempre unidos, ao custo de qualquer sacrifício”. Um silêncio cobriu o recinto e os traços de agonia sumiram do rosto do pobre homem, deixando somente o semblante sereno de uma morte santa. Todos incorreram em lágrimas, e nem a andorinha encontrou felicidade naquele dia de verão de 1830.

Hoje, para todos aqueles que tem em Pio Lanteri um grande teólogo de estudo, uma fonte de reavivamento espiritual, um intercessor, é uma data a ser lembrada. Neste dia 5 de agosto recordamos a morte desta grande personalidade da Igreja Católica, que com a própria vida ensinou a seguir Jesus. Mas fazemos esta lembrança não mais de forma triste como a andorinha no conto acima, mas sim, com muita alegria, pois nos dias de hoje somos testemunhas dos frutos que o trabalho deste homem gerou na vida de muitas comunidades pelo mundo; podemos ver como seus ensinamentos levaram os fieis a santificação e a salvação no Cristo, e como suas palavras ainda são tão atuais e tem a capacidade de tocar corações e converte-los para o Senhor.

Este homem viveu com o coração a vida de cristão e como morreu como um santo! Não porque não cometeu pecados, porque os cometeu sim! Não porque fazia milagres, apesar de ter sido instrumento de Deus na vida de muitas pessoas. Não porque era perfeito, porque isso nunca almejou. Mas sim, morreu como um santo, pois em sua vida inteira seguiu o mandamento áureo de Cristo: Amai-vos uns aos outros; e até em seu leito de morte quis amar mais do que podia, e amou, até o último sopro de ar seus pulmões, amou!

Venerável Padre Pio Bruno Lanteri, Rogai por nós!